G3

É assim que está descrita minha atual gestação na minha carteira de pré-natal: G3

Para quem não sabe, já tive um aborto espontâneo (G1) no início do meu casamento. Resumindo (e não se assustem), não fiquei triste com o ocorrido. Estava despreparada e muito assustada. Queria curtir mais meu matrimônio, viajar... era muito nova ainda pra assumir essa responsabilidade.

Depois de 3 anos veio a Paola (G2). Um ano adiantada dos planos, mas sim, já haviam planos. Já estava com a cabeça mais madura e querendo ampliar a família já estruturada. Aí a ideia de compartilhar alguns medos e inseguranças naturais do processo através do blog, a identificação com muitas mamães, minha formação, meu trabalho acadêmico sobre o assunto, a inserção em outra graduação, o trabalho fixo, e uma enorme pausa na escrita.

Não sei explicar o porquê desta pausa. Não senti mais vontade de falar sobre maternidade, apenas curti-la. Como meu tempo ficou mais escasso, o que sobrava, obviamente, era para a família. E, gente! Como amadureci e aprendi nesta longa pausa! Quantos pensamentos compartilhei aqui e que já mudaram!

Minha primogênita está prestes a fazer 3 anos. Sinto um diferencial enorme em sua educação por ter sido eu sua principal educadora nos dois primeiros anos. Se me perguntarem se me arrependo de ter parado de trabalhar, minha resposta será um grande e sonoro NÃO. Ela ainda não entrou para a escolinha, e o meio período que fico fora, ela fica aos cuidados de uma babá muito atenciosa, em um ambiente familiar.

Se me perguntarem também se foi doloroso voltar a trabalhar, minha resposta também será um grande e sonoro NÃO. Foi tranquilo para ambas. Eu precisava voltar a ativa, ela precisava de novos contatos (mas não necessariamente a escolinha).

Falando em novos contatos, meu marido e eu nos perguntávamos o tempo todo sobre o irmão, ou irmã da Paola. Queremos? Não, tá bom assim. Mas ela será filha única? Não, será melhor uma companhia. Quando? 2 bebês em casa não dá. É melhor esperar ela completar 4 anos. Mas queremos? Talvez. Já estamos treinados. Tanta gente consegue... Podemos? Agora ambos trabalham. Queremos? Que seja feita a vontade de Deus...

Aí "Plin"! A novidade G3! Novamente um ano adiantado dos planos! Como fui sempre bem regradinha, o atraso de uma semana não me deixava dúvidas! Vamos comprar o teste só para desencargo. Meu marido, morrendo de curiosidade, comprou no meio do horário de trabalho e fizemos juntos em casa. Positivo! "Ai... era isso mesmo?", "Calma! Estamos preparados!"
BUMMM... aquela insegurança novamente. Na tentativa de olhar os pontos positivos: Paola estará com 3 anos completos (aliás, curiosidade - mesma data de concepção e DPP), já está bem independente, desmamada e desfraldada. Já não são mais 2 bebês. É boa a diferença.

Explicamos para ela que dentro da barriga da mamãe ia crescer um bebê e que seria seu irmãozinho ou irmãzinha. Sem entender muito bem, ela sorriu e continuou brincando. Ajudou muito ela assistir uma série chamada "Call the Midwife" comigo. Uma série estilo "Gray,s Anatomy", porém só com casos de parto e historiando os anos 50 (tem no netflix, indico).
A série mostra bebês nascendo de forma natural e o trabalho de um grupo de freiras e parteiras (sem mostrar cenas fortes) e rapidamente ela associou: Barriga grande = bebê dentro - que uma hora vai sair. A partir daí, um carinho enorme pela minha barriga.

Depois a dúvida do sexo. Nitidamente meu marido ansiava um menino. Já eu, ao contrário da gestação da Paola, queria um menino, mas enxergava mais vantagens em ter outra menina (aproveitar as roupas, o quarto, os brinquedos - uma baita economia!)

A Paola ficou de pernas cruzadas até a vigésima semana. Demorou bastante para descobrir o que ela era. Já nesta gestação, no primeiro Ultra, com 13 semanas, a bonitinha já mostrava a graça. 
Meu marido não escondeu a frustração (talvez soubesse que comigo não tem como). E não fiquei triste com sua reação, achei natural. Essa seria nossa última tentativa. Ali, acabaram as chances. Também sabia que ele iria elaborar as 2 meninas logo e também enxergar as vantagens (o que realmente aconteceu).

Agora o nome. Os que tínhamos deixado como segunda opção na gestação da Paola, pareciam não mais combinar ou encaixar na nova realidade. "Já escolheram o nome?" - "Não fazemos ideia!".
Até que um dia, na lavanderia, um nome veio à mente, meio que de forma transcendental: Lizzie.

Bonito, mas americanizado... não é diminutivo de Elizabeth? Fui pesquisar. NÃO! Vem do hebraico e significa "promessa de Deus". Perfeito!

Por não ser muito comum, sabia que encontraria caretas com a propagação. Meu marido gostou, ótimo. Martelado. A avó, como de praxe, detestou. A melhor amiga disse com sinceridade: Ela vai ter que explicar como se escreve toda a vez. A irmã e o irmão de coração também preferiam outras opções. Já outros conhecidos diziam: Amei! Lindo!

Está tudo bem. A gente pensa nos bullyings da vida, descarta associações com outras palavras de baixo teor, e pronto. Só não é comum. Não há nada de errado. Achamos bonito, tem significado importante, será este.

Bom, talvez você esteja se perguntando como uma gravidez mais-ou-menos planejada poderia ser uma promessa. É verdade, nunca pedi para Deus a promessa de uma segunda filha, mas imediatamente lembro que a fertilidade, o "crescer e multiplicar", tem a ver com bençãos. Eu não poderia me sentir, se não desta forma: Abençoada. Deus me prometendo bençãos - mesmo sem merecer.

Tive mais certeza disso com um evento curioso, ou melhor, dois eventos, que aconteceram no final da gestação da Liz (olha que lindo a abreviação). Mas fica para o próximo post, assim como mais detalhes da G3! :)





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