No processo "Escolhendo o tipo de parto"

Antes da gestação sempre imaginei que meu parto seria uma cesária. Não cogitava o parto normal porque me achava incapaz de parir. Porém, ao me descobrir grávida, a ideia de passar por uma cirurgia me dava pavor.

Foi no sétimo mês que minha supervisora, também grávida, me apresentou uma casa de parto. Simultaneamente, uma colega de trabalho, defensora do parto natural, me apresentou o DVD "Renascimento do parto". Ambos me deram nova visão de mundo a respeito do 'parir'. Passei a sonhar com meu parto, não mais normal, mas NATURAL. Eu seria capaz sim! não tinha dúvida! E a casa... ah, a casa... era uma graça! Parecia um hotelzinho super aconchegante. Já tinha idealizado como seria tudo: ganharia minha Paola na banheira, à luz de velas, com musiquinha ao fundo, meu marido participando de todo o processo, sem cortes, sem anestesia, sem aquele ambiente assustador de um hospital e uma equipe médica fazendo o que nasci pra fazer. Meu parto seria romântico! Haha.

Comecei a fazer meus acompanhamentos lá. Embora só tivesse enfermeiras, me sentia tão segura e completa que larguei o pré-natal com minha médica. Pra quê? Ao saber que não faria o parto com ela, começou a cair a qualidade do atendimento. Ia lá na Liberdade, enfrentava toda a vez um trânsito de 2h, pra ela simplesmente me pesar e medir minha altura uterina? Não. Não estava valendo apena. A casa me bastaria.

Minha rotina agora era assistir partos normais. Não me dava mais medo. Ficava torcendo para virem os sinais. Lá só atendia baixíssimo risco. Mas tudo bem, estava tudo em ordem com minha bebê. Os dois morfológicos estavam perfeitos. Na verdade a Paola, desde a 27ª semana, já estava cefálica.

Porém, meu peso só aumentava, e só uma coisa poderia me tirar todo este sonho: uma diabete gestacional...
tentei fugir da tal curva glicêmica, mas não deu outra. Com 36 semanas fui obrigada. Dois dias depois e o resultado: Diabete.

Meu mundo desabou. Tentava manter a esperança de que elas (doulas da casa) relevariam o fato de não estar muuuuito alterado e de que os outros exames estavam em ordem. Mas ao mesmo tempo o 'não' era uma grande possibilidade e que não estava com pressa de ouvir. Poderia ligar e perguntar, mas preferi saber se iria ser cortada ou não da casa na próxima consulta.

Enquanto isso, tentava negociar outro sonho: o ensaio fotográfico da minha gestação NA PRAIA. Das pessoas que eu conhecia que realizavam este trabalho, cobravam um preço que não estava dentro do meu orçamento. Tinha gastado uma fortuna com a reforma do quartinho (que não imaginava), e agora estava quase em apuros. Não podia ter 'luxos'. Tentei de tudo, até pedir câmera emprestada pra eu mesma fazer, mas eram tantos contratempos que estava quase desistindo e dizendo "deixa pra lá... tá dando tudo errado mesmo!"

Até que Deus me enviou a Renatinha (esposa de um amigo, e mal a conhecia). O casal estava de passagem no Brasil e trabalhando provisoriamente. Ele com música, e ela, adivinhem, com FOTOGRAFIA!
Por serem amigos, sugeri que ela fizesse o ensaio de graça e eu pagaria a estadia de dois dias na praia. Para minha surpresa ela topou na hora! Fotografia não era só um meio de ganhar dinheiro, era um prazer. E realizar um sonho meu não seria difícil pra ela. Até hoje não sei como agradecer. O trabalho ficou lindo. Abaixo o link para visualização:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1508036666090786.1073741831.1414921122069008&type=1

Voltando à questão da glicemia alterada, chegou o dia da consulta. O dia que saberia se seria ou não cortada do programa. Não era surpresa. "Sinto muito, mas pelos parâmetros do ministério da saúde, não podemos realizar seu parto aqui. É pela sua segurança e da sua bebê". Segurei o choro na sala, e soltei um mundo de água no carro. Um sonho destruido. Agora teria que me submeter à um hospital e provavelmente iriam me 'empurrar' a temida cesária.

Não era possível. Pra mim, todas as coisas estavam me levando para uma cirurgia, e na minha cabeça pessimista, ali seria meu fim...





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