Da Emoção de ser Mãe

Demorei a escrever este post por dois motivos: minha fiel ajuda (sogra) quebrou o braço e estou tendo que cuidar da casa (nos breves sonos da minha filha), e da minha filha. Os momentos que tenho pra casa são corridos e os momentos que tenho com ela são introcáveis (se é que existe essa palavra).
Bom, não são todos que estão dispostos a ler todas as minhas postagens e acompanhar todo o meu processo de maternagem e maternidade. Resumindo, quero ofertar aqui os verdadeiros sentimentos, emoções, pensamentos que permeiam a cabeça da mulher gestante/mãe para dividir com outras gestantes/mães. Compartilhei que, no início do ciclo "mãe" passei bons "perrengues" com minha bebê. Ela nao dormia, chorava muito, tinha refluxo... Então primeira coisa: Dormir. Fiquei 20 dias como zumbi. Para tentar disciplinar minha filha da forma "correta", estava forçando acostumá-la a dormir no moisés. Resultado: ela dormia no máximo 10 min e nestes 10 min ficava de vigia, porque ela engasgava do nada, e eu, simplesmente não conseguia dormir. Até observar que, ao deixá-la sobre meu peito para arrotar, seu sono durava mais nesta posição. Um dia ela dormiu a noite toda e só descobri isso ao ver o relógio marcando 6 da manhã. Pois é! Eu também tinha dormido! Estava tão exausta que levei um susto, mas ao mesmo tempo estava tão relaxada e aliviada! No outro dia ela dormiu assim, e no outro, e no outro, e até hoje.

Com 2 meses minha técnica foi se aperfeiçoando: ela mama, eu a escorrego para um dos meus braços e dormimos DEITADAS frente a frente a noite toda! Se ela sente fome, ali mesmo, numa leve inclinação que meu braço mesmo, já envolvido faz, amamento. Durante o dia, colo só para dar de mamar e arrotar. As dormidas são ou no carrinho, ou no moisés. (O berço está apenas de enfeite, por enquanto). Ela não reclama de ficar nestes locais. Não está mal acostumada. Ela não irá dormir comigo na cama pro resto da vida! Aliás, já estou a treinando para isso. São 2 meses! As lições que tiro são essas: Primeiro: Não tem como disciplinar um bebê de dias. Ele está em um simples processo de adaptação ao mundo. Ele precisa do contato pele a pele. Segundo: Cada bebê é único. Pode ser que para bebês que não possuem refluxo, dormir desde cedo no berço seja fácil e o melhor para ele. Não foi o caso da minha. Ou ela dormia comigo, ou ambas adoeceríamos pela falta do sono.
Um parêntese: (Se assustariam com a quantidade de pais que fazem isso. E utilizo os dois gêneros porque muitas vezes é a figura do pai que desempenha essa tarefa).
Não estou aconselhando isso! Sabemos os perigos desta condição: "atropelar" o bebê, sufocar, etc... No meu caso, achei mais perigoso ela dormir separada de mim. Meu sono mudou drasticamente. Consigo acompanhar seu narizinho e sua posição a noite toda e nem todos conseguem se manter na mesma posição ou ter a mesma vigília. Se avalie antes de levar seu bebê para dormir com você, até mesmo se terá pulso e coragem para a futura separação!
E terceiro: Joguei no lixo as frases: "isso não pode", "vai acostumá-la mal", "ela fica muito tempo no colo" (mas espera aí! Por que chamam então BEBÊ DE COLO?). Os manuais (e sim, os bebês vem com manuais) e conselhos são até úteis, mas quem a conhece melhor sou eu! Conheço os perigos que a envolvem e a protejo como ninguém mais, nem as regras, crenças e teorias, podem fazer. E é importante ressaltar que fatalidades podem ocorrer em qualquer situação. Acredito que o simples fato de ser MÃE, te dá uma autoridade maior que os livros, médicos e tradições. (Sem desrespeita-los ou ignorá-los, claro).

Vamos para o hoje.
Medicada, ela engasga e gofa cada vez menos. Ganha peso normalmente. E a interação.... ah... essa é a melhor parte!!!!
A emoção começa nas descobertas do olhar. "veja! Ela está acompanhando o dedo!", "veja! Ela percebe meus movimentos!" "Veja! Ela está me acompanhando com a cabeça!" "veja! ela me enxerga de longe!" E por fim "veja, ela olha pra mim enquanto mama!" Cada descoberta é indescritível!

Depois vem o sorriso. A gente vibra mesmo quando são involuntários, como é no começo, imagina então o primeiro sorriso espontâneo. Este foi com meu marido. Conversando com ela, ela abriu um sorriso enorme, olho no olho. "foi proposital, foi proposital!" "cadê a câmera????" já foi... Que emoção! A partir daí foi só alegria. Era fazer graça e ela sorrir! Que delícia! Não me cansava de tirar fotos, filmar... e por fim: "veja! Ela sorri enquanto mama! INDESCRITÍVEL.

O "por fim (...) enquanto mama" é porque amo a hora em que ela está ligada e conectada a mim. Amo dar prazer e sentir o quanto se sacia com o que posso prover à ela.

Depois vem as descobertas com as mãos. Querer pegar os bichinhos do móbile, levar o dedo na boca... Mas estamos entrando ainda nesta fase. Ainda há muito para se descobrir.

Olha, não dá realmente para descrever o que se sente em cada descoberta. Dá para dizer que muitas vezes me pego chorando de emoção, e isso eu nem sabia o que era. Não conseguia compreender um choro de emoção. Hoje eu sei.  Depois do episódio no carro assim que ela nasceu, a segunda vez foi na mesma semana. Ela estava ali, linda e perfeita dormindo ao lado do pai na cama. (Cochilando né...rs). Fiquei em pé olhando aquela cena. A Paola significava algo concreto, físico e palpável do fruto do meu amor pelo meu marido. Ela era feita todinha, mátéria, corpo e sangue, de amor. Chorei como criança. Meu marido acordou com meus soluços incontroláveis e preocupado perguntou se estava com dor. Disse que estava orando e agradecendo a Deus. E neste exato momento, enquanto escrevo, lágrimas me vem à face.

Os choros seguintes foram conversando com ela. Dizia: "pára de olhar pra mamãe assustada! Mamãe não tá chorando porque tá triste! Mamãe tá chorando de tão feliz! De tão linda que vc é! De tanto que te ama! Tá bom, vou parar! Mamãe é uma bobona, né?"

Me sinto outra pessoa.
Orava muito a Deus pra corrigir meus piores defeitos: a preguiça e o egoísmo. Estou tão desapegada de mim e tão ativa e dona de casa que nem me reconheço. Quero deixar a casa limpinha pra ela, me preocupo com o pó.... Ficar bonita? Só no sábado, para ir à casa de Deus, mas ela... Ah... ela eu arrumo todo o dia, tiro foto todo dia! Quero que os elogios agora sejam para ela! Me sinto outra pessoa! E claro, bem melhor agora!



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