DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

Há uma grande preocupação de pais cujo filho apresenta algum tipo de dificuldade de aprendizagem ou um mau desempenho acadêmico. É comum perguntas onde espera-se que as respostas permeiem no campo do bom prognóstico ou do alívio às culpas decorrentes como "onde foi que errei?". É comum a indignação de pais que avaliavam seus filhos como normais, por suas relações sociais e desenvolvimento adequados.  Por serem múltiplos os fatores que podem contribuir para estas dificuldades, e antes de qualquer afirmação, é necessária investigação. É necessário avaliar a criança em sua totalidade, considerando as vertentes biológicas e as influências externas, do ambiente. Como saber as especificidades diagnósticas em crianças com Dificuldade de Aprendizagem? Existe Tratamento? Quais são suas origens?

Como psicóloga, é comum ver nas condutas de pais e até mesmo de educadores despreparados, a associação de problemas na aprendizagem com a indisciplina. No entanto, não é difícil afirmar que muitos fatores emocionais estão envolvidos em uma criança que não se acha capaz de aprender, e isso, obviamente, refletirá em seu comportamento.

Estudos mostram que grandes partes das dificuldades são de origem biológica, porém o ambiente pode ser grande contribuinte para potencializar os déficits.

É importante levar em consideração as principais causas biológicas, que podem envolver: lesões, doenças ou falhas no desenvolvimento cerebral, desequilíbrio neuroquímico e hereditariedade. Alguns exemplos de lesões podem estar associados ao parto e/ou doenças durante a gestação, assim como o uso de álcool e outras drogas neste período. Há algumas evidências também de que pessoas com dificuldades de aprendizado possuem uma atividade elétrica e metabólica no cérebro diferente das outras pessoas.

Já outras crianças apresentam um desenvolvimento cerebral mais lento. Não significa que não sejam capazes de atingir níveis normais de aprendizagem, mas pode acarretar em frustrações e desmotivações por não conseguirem aprender como os demais, dificultando o quadro.

Em um exemplo de alteração neuroquímica podemos citar o TDAH (Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade). Crianças com este transtorno precisam de intervenção medicamentosa, afim de regular os níveis destes neurotransmissores.

A hereditariedade também é um fator importante, pois estudos apontam uma incidência maior em filhos cujos pais também tinham dificuldades.

Como problemáticas ambientais que podem estar estritamente evolvidas nas dificuldades, podemos citar: uma família desestruturada e/ou desagregada, a criança que sofre violência (que não necessariamente são físicas ou destinada à ela) e a criança com condições nutricionais inadequadas.

O TDAH, o Autismo e o Retardo Mental são exemplos de Transtornos que influenciam o mau desempenho acadêmico. Outros Transtornos, conhecidos como específicos são: Dislexia, Disortografia, Discalculia e a Disgrafia – todos ligados ao déficit da linguagem.

Resumindo estes últimos: A disgrafia trata-se de uma dificuldade em formar uma palavra graficamente correta. A criança pode escreve como “garrancho”, ou com letras muito grandes ou muito pequenas. Isso quando a criança passou da fase de alfabetização, em que se espera que sua letra seja homogênea. Na desortografia, a letra é adequada, porém há muitos erros ortográficos ou para compor um texto. A partir daí, é comum as omissões de letras ou palavras. Na discalculia, a criança possui dificuldades na manipulação dos números e com a matemática. Importante salientar que não tem a ver com a inteligência! O problema, muitas vezes, não está em realizar contas simples, mas em extrair um conceito matemático e a lógica. Na dislexia, a dificuldade está na leitura e na interpretação dos símbolos. Esta atividade será penosa e mais lenta, podendo levar a criança a desmotivar-se facilmente.

Uma equipe multidisciplinar poderá auxiliar esta criança, que já foi ou está sendo alfabetizada, porém com grande dificuldade. Elas são percebidas justamente neste período, porque antes não tinham que lidar com alguns processamentos de leitura, escrita e cálculo.

Por fim, a boa notícia: SIM! É possível fazer com que uma criança desenvolva sua capacidade de aprendizagem a partir da compreensão, incentivo, estímulo, técnicas  e acompanhamento dos pais e de todos aqueles que estão envolvidos no processo educativo.

A detecção precoce de uma evolução acadêmica inadequada e o encaminhamento para centros especializados poderá ser determinante para o auxílio da criança com dificuldade de aprendizado. Daí a necessidade de professores bem treinados para levantamento de uma suspeita. Daí a necessidade de uma mobilização que aponte aos educadores que existe uma diversidade na sala de aula, e que cada criança deve ser vista como única.

Sugestão de filme: Como estrelas na terra.


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