No processo de parir III

Vou tentar (juro) escrever rapidamente sobre o final da gestação, como prometido no post anterior, antes de falar sobre o parto.

No dia que descobri a gravidez, fui dar aula. Como de costume, iniciamos com a meditação - uma leitura reflexiva. Adivinhem o assunto: descoberta de bebê. Tive uma crise de riso com a coincidência e não podia ainda falar a razão. Os alunos riam comigo de curiosidade. Achei que seria muito legal eles acompanharem comigo a gestação. Ilusão. Logo começaram os enjoos. Tão intensos quanto os da Paola. Saia o tempo todo da sala para ir ao banheiro colocar tudo pra fora. Emagreci, fiquei com cara de doente, e eles viam meu sofrimento. Como entrei como regente após uma sucessão de 3 substituições, sabia que os pais estavam cansados das trocas de professoras e também achava que eles não mereciam serem "abandonados" pela quarta vez. Aguentei firme até as férias.

Quando voltei, agora com outra turma, bem mais densa, comecei a sentir um grande desconforto no abdome superior. Os enjoos tinham passado, mas aquela dorzinha bem localizada me preocupava. Fui investigar: polipos na vesícula e uma sentença - cirurgia de retirada após o parto.

Por questões burocráticas, tive que sair da sala de aula como regente. Não achei ruim. Achei uma resposta divina pra me poupar na gestação. Fui auxiliar de classe durante 3 meses até ganhar (e foi um excelente aprendizado na área de educação infantil).

Nesse período também, tive uma crise matrimonial por questões financeiras. Logo superamos, mas foi suficiente pra gerar, além dos hormônios, aquela insegurança e instabilidade emocional.

No terceiro trimestre sentia muita dor pélvica e uma tristeza inexplicável. Sabia, através dos meus estudos na psicologia (lembrete: sou psicóloga e humana), que a incidência de depressão pós-parto aumenta quando há depressão na gestação. Por este motivo, lutava para não ficar deprimida. Outra coisa que me tirava a paz era a dúvida se conseguiria amar na mesma proporção a Liz como eu amava a Paola. (DESCOBRI que a sabedoria de Deus é imensa. Meu amor pelas duas é inexplicável. Meu coração e capacidade de amar é inexplicável. E mais importante: sem medidas).

Ao término do terceiro trimestre, como qualquer mãe de segunda viagem, deixei tudo para última hora. Ensaio fotográfico, compras de roupinhas. As pessoas me perguntam se não guardei as da Paola. Eu ganhei muita, mais muita coisa da Paola. Como eu ganhei, eu achava nada mais justo que doar também. Dei tudo de 0 a 1. Passei a guardar a partir de um aninho, quando me liguei que podia engravidar novamente de menina. Mas Deus também foi muito bom e preparou tudo. Deu tudo certo. Houve uma feira gestante/bebê no feriado em que fiz  a festa (!!!) e o ensaio foi com um amigo que criou e recriou as fotos de Ilhabela. O dia chuvoso que tanto reclamei, teve um resultado bárbaro por conta da luz  mais baixa. No final da viagem (com a família toda... pai, mãe, marido e filha) apareceu o sol pra curtir mesmo. 

O que pegou foi a tristeza inexplicável. Por mais que soubesse da influência hormonal, aquilo me preocupava. 

Foi aí que um dia, do nada, a geladeira pifou. Chamamos um homem que, ao entrar em casa e se deparar comigo, perguntou: "Qual vai ser o nome DELA?". COMO aquela criatura que nunca havia me visto sabia que era menina? E ele continuou, quando disse o nome: "Hummm... hebraico, né? Ela vai ser uma benção, viu?".

Nesta altura não fiquei nem aí se era um vidente, profeta, ou se tudo aquilo ia de acordo com minhas crenças pessoais. Senti vontade de chorar de alívio. Foi um alento. Sua filha será uma benção, Camila. Era só isso que importava.

Mais tarde ele falou que havia tido uma visão. Viu  ela em berço de ouro e blablablá... Toda parte que para mim é irrelevante.
Ganhei dois chás de fralda de amigos. Na meditação de um deles, o pastor reforçou: Ela será um benção! Novamente um carinho de Deus. Ela será uma benção. Só isso que importa. A tristeza foi embora. 

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